Apesar de Bendine ter
os seus méritos, já que passou de estagiário à presidente do Banco do Brasil,
não é o melhor nome e não parece entender muito do setor de petróleo, ressaltam
analistas
SÃO PAULO -
O nome de Aldemir Bendine na presidência na Petrobras (PETR3;PETR4) significa que Dilma Rousseff
está agindo da mesma forma de sempre e quer mostrar que ela é que manda no
Brasil.
Esta é a
avaliação do gestor da H.H. Picchioni, Paulo Henrique Amantea, que destaca que,
apesar de Bendine ter os seus méritos, já que passou de estagiário à presidente
do Banco do Brasil, não é o melhor nome e não parece entender muito do setor de
petróleo.
Isso em um
cenário bastante desafiador para a empresa, em que ela precisa enfrentar
problemas como na exploração do pré-sal, o seu alto endividamento, como fará
captações no mercado, somadas às questões de corrupção
na empresa.
Aldemir Bendine não teve nome bem recebido pelo mercado
(Bloomberg)
"Dilma
não mudou, ela vive num castelo sem diálogo com o mercado", afirmou o
gestor, apesar de ter indicado que poderia ter mudado com a indicação do
ministro da Fazenda Joaquim Levy, que tem um viés mais ortodoxo para realizar o
ajuste fiscal.
“É
frustrante e a reação das ações
mostrou isso claramente”, com baixa superior a 7%.
Amantea
destacou que colocar um nome que já fazia parte do governo
e menos independente é péssimo para a imagem do Brasil, pois sinaliza que não
haverá mudanças tão significativas. Ele ressalta que a Petrobras está no
"olho do furacão" e que seria necessário um nome com outro perfil
para sinalizar que as coisas realmente iriam mudar na companhia: "a
situação é dramática".
Confira mais
reações:
"O
nome de Bendine representa uma regressão nas perspectivas
de transparência na companhia", destaca o analista Luis Gustavo Pereira,
da Guide Investimentos, em um momento que é preciso restaurar a confiança
das agências de classificação de risco.
Para o
analista, Bendine é um pouco mais do mesmo, sem tantas mudanças em relação à
Graça Foster: "é um nome melhor que Graça Foster, já que ela enfrentava
uma grande pressão no cargo, mas não é um nome bom na visão do mercado. Esta é
mais uma indicação política do governo". Pereira deu a declaração antes
da oficialização do nome de Bendine para o cargo.
O novo
presidente da Petrobras pode ser mais submisso ao governo brasileiro e, assim,
fazer com que o mercado desconfie sobre como será feito o relatório com as
perdas contábeis. Cabe lembrar que o "estopim" para que Graça Foster
saísse da Petrobras seria a divulgação das possíveis perdas contábeis de R$
88,6 bilhões, o que teria irritado Dilma Rousseff, já que teria dado a
impressão de que todo esse montante se referia à corrupção.
Porém, há
quem duvide de que Bendine tenha ido para a Petrobras para "ficar". O
analista de investimentos Flávio Conde acredita que a escolha do
presidente do BB para a petroleira seria apenas temporária, apenas para assinar
o balanço da petroleira com as baixas contábeis do quarto trimestre.
Bendine,
assim, assumiria os riscos de uma ação civil ao assinar o balanço, mesmo que
não estivesse envolvido nos imbróglios que levaram às baixas. Vale ressaltar
que o presidente do BB está de saída do cargo na instituição financeira e
prestaria, assim, um "favor" para a empresa.
Sem
independência
Para
o professor do Departamento de Economia
da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
(PUC-RJ), José Márcio Camargo, “independente da competência dele”, a indicação
mostra que a presidente Dilma Rousseff “quer manter o controle sobre a
empresa”.
Segundo
Camargo, Bendine é uma pessoa muito ligada ao governo federal. “Foi uma
indicação política, independente da capacidade dele”.
Lembrou que,
à frente do Banco do Brasil, Bendine se esteve disposto a seguir a política
econômica do governo e não a atender as necessidades específicas da
instituição. “Aumentou a oferta de crédito
e diminuiu juros em momentos que os bancos
privados estavam fazendo exatamente o contrário”.
O economista
Maurício Canêdo, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas
(Ibre-FGV), também se manifestou contrário à indicação. “Não foi exatamente o
que o mercado estava esperando”, afirmou.
Canêdo disse
que a expectativa era que o novo titular da Petrobras fosse um executivo
com mais experiência em empresas. “A queda da cotação das ações da Petrobras
revela que o perfil da escolha é diferente do esperado”.
Maurício
Canêdo também ressaltou a ligação política de Bendine com o governo. Segundo
ele, isto prejudica a independência que deveria ter para tomar medidas
necessárias para a empresa neste momento de crise.

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