sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Dilma quer mostrar que ela manda ao indicar Bendine

Apesar de Bendine ter os seus méritos, já que passou de estagiário à presidente do Banco do Brasil, não é o melhor nome e não parece entender muito do setor de petróleo, ressaltam analistas

SÃO PAULO - O nome de Aldemir Bendine na presidência na Petrobras (PETR3;PETR4) significa que Dilma Rousseff está agindo da mesma forma de sempre e quer mostrar que ela é que manda no Brasil.

Esta é a avaliação do gestor da H.H. Picchioni, Paulo Henrique Amantea, que destaca que, apesar de Bendine ter os seus méritos, já que passou de estagiário à presidente do Banco do Brasil, não é o melhor nome e não parece entender muito do setor de petróleo.

Isso em um cenário bastante desafiador para a empresa, em que ela precisa enfrentar problemas como na exploração do pré-sal, o seu alto endividamento, como fará captações no mercado, somadas às questões de corrupção na empresa. 

Aldemir Bendine não teve nome bem recebido pelo mercado (Bloomberg)



"Dilma não mudou, ela vive num castelo sem diálogo com o mercado", afirmou o gestor, apesar de ter indicado que poderia ter mudado com a indicação do ministro da Fazenda Joaquim Levy, que tem um viés mais ortodoxo para realizar o ajuste fiscal.

“É frustrante e a reação das ações mostrou isso claramente”, com baixa superior a 7%.

Amantea destacou que colocar um nome que já fazia parte do governo e menos independente é péssimo para a imagem do Brasil, pois sinaliza que não haverá mudanças tão significativas. Ele ressalta que a Petrobras está no "olho do furacão" e que seria necessário um nome com outro perfil para sinalizar que as coisas realmente iriam mudar na companhia: "a situação é dramática".

Confira mais reações:
"O nome de Bendine representa uma regressão nas perspectivas de transparência na companhia", destaca o analista Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, em um momento que é preciso restaurar a confiança das agências de classificação de risco.


Para o analista, Bendine é um pouco mais do mesmo, sem tantas mudanças em relação à Graça Foster: "é um nome melhor que Graça Foster, já que ela enfrentava uma grande pressão no cargo, mas não é um nome bom na visão do mercado. Esta é mais uma indicação política do governo". Pereira deu a declaração antes da oficialização do nome de Bendine para o cargo. 

O novo presidente da Petrobras pode ser mais submisso ao governo brasileiro e, assim, fazer com que o mercado desconfie sobre como será feito o relatório com as perdas contábeis. Cabe lembrar que o "estopim" para que Graça Foster saísse da Petrobras seria a divulgação das possíveis perdas contábeis de R$ 88,6 bilhões, o que teria irritado Dilma Rousseff, já que teria dado a impressão de que todo esse montante se referia à corrupção. 
Porém, há quem duvide de que Bendine tenha ido para a Petrobras para "ficar". O analista de investimentos Flávio Conde acredita que a escolha do presidente do BB para a petroleira seria apenas temporária, apenas para assinar o balanço da petroleira com as baixas contábeis do quarto trimestre.

Bendine, assim, assumiria os riscos de uma ação civil ao assinar o balanço, mesmo que não estivesse envolvido nos imbróglios que levaram às baixas. Vale ressaltar que o presidente do BB está de saída do cargo na instituição financeira e prestaria, assim, um "favor" para a empresa. 

Sem independência
Para o professor do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), José Márcio Camargo, “independente da competência dele”, a indicação mostra que a presidente Dilma Rousseff  “quer manter o controle sobre a empresa”.


Segundo Camargo, Bendine é uma pessoa muito ligada ao governo federal. “Foi uma indicação política, independente da capacidade dele”.

Lembrou que, à frente do Banco do Brasil, Bendine se esteve disposto a seguir a política econômica do governo e não a atender as necessidades específicas da instituição. “Aumentou a oferta de crédito e diminuiu juros em momentos que os bancos privados estavam fazendo exatamente o contrário”.

O economista Maurício Canêdo, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), também se manifestou contrário à indicação. “Não foi exatamente o que o mercado estava esperando”, afirmou.

Canêdo disse que a expectativa era que o novo titular da Petrobras fosse um executivo com mais experiência em empresas. “A queda da cotação das ações da Petrobras revela que o perfil da escolha é diferente do esperado”.

Maurício Canêdo também ressaltou a ligação política de Bendine com o governo. Segundo ele, isto prejudica a independência que deveria ter para tomar medidas necessárias para a empresa neste momento de crise.  

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