sábado, 7 de fevereiro de 2015

Artigos de luxo são apreendidos por PF em operação Lava Jato

Deborah Albuquerque
Deborah Albuquerque - Gazeta
Na nona etapa da operação Lava Jato a polícia Federal informou que apreendeu quase 500 relógios de luxo, além de documentos e uma grande quantia de dinheiro, em cédulas de real, euros e dólar. Com base no balanço parcial divulgado na tarde de quinta-feira (5). A PF informou que os relógios foram apreendidos em Santa Catarina, onde há empresas investigadas nessa nova fase da operação. Também foi apreendida pela PF uma coleção de canetas importadas. Visto que a "quadrilha" tinha gosto refinado para escolher seus artefatos de luxo.
Foram 18 mandados de condução coercitiva que os agentes da PF cumpriram, quando a pessoa é levada para dar depoimento e é liberada, e 40 de busca e apreensão em São Paulo, no Rio, na Bahia e em Santa Catarina.
Mais um sócio da Arxo também tem a prisão temporária decretada, mas que não foi cumprida porque está voltando do exterior. Polícia Federal tem esperança que ele se entregue assim que desembarcar no Brasil.
Haverá ainda um mandado de prisão preventiva no Rio de Janeiro que não foi cumprido. O nome da pessoa procurada se mantém em sigilo pela PF.
A Polícia Federal ainda não soltou o total de dinheiro apreendido, pois não finalizou sua contagem. Os documentos e objetos apreendidos na operação de hoje serão enviados à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Os presos no caso também serão levadas para lá.
Na operação, participaram cerca de 200 policiais federais e 25 servidores da Receita Federal.
Segundo a PF, os investigados poderão responder pelos crimes de fraude a licitação, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. e é liberada, e 40 de busca e apreensão em São Paulo, no Rio, na Bahia e em Santa Catarina.                                         
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi levado para prestar depoimento na Superintendência da PF em São Paulo e foi liberado. De acordo com o depoimento de Pedro José Barusco Filho, o PT teria recebido entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões entre 2003 e 2013 de propina retirada dos 90 maiores contratos da Petrobras, como o da refinaria Abreu e Lima, em construção em Pernambuco. Barusco é ex-gerente de engenharia da estatal e realizou delação premiada. A operação de hoje baseou nas informações passadas por ele.                      Foram presos Gilson João Pereira, sócio da Arxo, e Sérgio Ambrósio Maçanerro, diretor financeiro da empresa. Os dois estavam em Itajaí (SC) e são suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.
Um outro sócio da Arxo também tem a prisão temporária decretada, mas que não foi cumprida porque está voltando do exterior. A expectativa da Polícia Federal é que ele se entregue assim que desembarcar no Brasil.
Há ainda um mandado de prisão preventiva no Rio de Janeiro que não foi cumprido. O nome da pessoa procurada não foi divulgado pela PF.
A PF ainda não divulgou o total de dinheiro apreendido, pois não finalizou sua contagem. Os documentos e objetos apreendidos na operação de hoje serão enviados à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. As pessoas presas também serão levadas para lá.
Participaram da operação cerca de 200 policiais federais e 25 servidores da Receita Federal.
Segundo a PF, os investigados poderão responder pelos crimes de fraude a licitação, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.                                           "Agora só nos resta confiar na nossa Polícia Federal e que eles tomem as iniciativas corretas e façam valer a justiça para os corruptos da interminável operação Lava Jato"
Deborah Albuquerque

Dilma manda barrar manifestantes com carro de som em Campo Grande, MS

BPTran confirma ação, porém procedimento foi realizado sob as ordens do gabinete de segurança da presidente Dilma

Na manhã de terça-feira (4/02), o líder do protesto intitulado “Chega de Impostos”, que se manifestaria durante a visita da Presidente da República Dilma Rousseff à Campo Grande, foi detido por policiais Militares do 17º Batalhão da Polícia Militar de Trânsito (BPTran) e impedido de chegar ao local. Vinicius Siqueira teve seus direitos de ir e vir censurados e ficou isolado em cima de um trio elétrico.
A denúncia foi feita pelo próprio líder do protesto em seu facebook, por meio de uma foto publicada, onde mostra nitidamente o manifestante sozinho, em cima do trio elétrico cercado por viaturas da BPTran. Indignado, Vinícius ressalta que a mobilização já estava avisada a todos os órgãos estaduais, como mostra a foto abaixo.

“Nós fomos divididos em 5 pontos. O Sindicato dos Transportadores também estava conosco e também foi barrado, por esse motivo foram protestar na BR-163. Detalhe, a Polícia liberou quem estava a pé, porém quem quisesse teria que caminhar uma distancia de 2 km”, relata Vinicius.
A equipe de reportagem do Diário Digital entrou em contato com o coronel do BPTran, Renato Tolentino Alves, que admitiu a ação. Porém pontuou que todo procedimento foi realizado sob ordens do cerimonial organizador da visita.
“Todo evento foi comandado pelo gabinete da própria presidente que estava sob comando do Exercito Brasileiro. Vários órgãos estavam envolvidos no planejamento dessa segurança. Realmente, ele tinha autorização e havia dito que só iria com o trio elétrico, mas existe um limite de aproximação definido pelo gabinete de segurança, por esse motivo eles foram barrados”, explicou o coronel.
Ainda segundo o coronel da BPTran, foi garantido que as pessoas que estavam a pé, ou com carro de passeio seguissem para o protesto normalmente.
Veja a publicação de Vinícius em seu facebook:
PRESTEM MUITA ATENÇÃO NO QUE DIREI.
Tenho uma denúncia séria a fazer. Ontem os meios de comunicação divulgaram a baixa participação das pessoas ao movimento. Quer saber o motivo? A Polícia Militar tinha ordem expressa para desmontar a manifestação. Separaram os manifestantes em 5 pontos diferentes, ameaçando-nos com fuzis. Deixaram poucos em frente a "Casa da Mulher Brasileira" (que foram os noticiados pela mídia). Impediram nossos caminhões de chegar e por isso fechamos a BR-163. Agora o pior, como eu era o líder do Movimento, me "prenderam" e me isolaram da MANIFESTAÇÃO. SIM. REPITO: ME "PRENDERAM" E ME ISOLARAM. Veja na foto abaixo. Eu sou o de amarelo na parte de cima do Trio Elétrico. Não podia sair dali e ninguém tinha acesso a mim. FIQUEI DETIDO. ISSO É UM ABSURDO. Nós tínhamos autorização de todos os órgãos para a manifestação. Postei-os na internet com antecedência.
POPULAÇÃO, ACORDE: JÁ ESTÃO NOS CENSURANDO.
ESTAMOS SENDO CEN-SU-RA-DOS.
O Movimento Chega de Impostos não irá se calar. Já estamos programando outro evento. AGUARDEM!
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Dilma quer mostrar que ela manda ao indicar Bendine

Apesar de Bendine ter os seus méritos, já que passou de estagiário à presidente do Banco do Brasil, não é o melhor nome e não parece entender muito do setor de petróleo, ressaltam analistas

SÃO PAULO - O nome de Aldemir Bendine na presidência na Petrobras (PETR3;PETR4) significa que Dilma Rousseff está agindo da mesma forma de sempre e quer mostrar que ela é que manda no Brasil.

Esta é a avaliação do gestor da H.H. Picchioni, Paulo Henrique Amantea, que destaca que, apesar de Bendine ter os seus méritos, já que passou de estagiário à presidente do Banco do Brasil, não é o melhor nome e não parece entender muito do setor de petróleo.

Isso em um cenário bastante desafiador para a empresa, em que ela precisa enfrentar problemas como na exploração do pré-sal, o seu alto endividamento, como fará captações no mercado, somadas às questões de corrupção na empresa. 

Aldemir Bendine não teve nome bem recebido pelo mercado (Bloomberg)



"Dilma não mudou, ela vive num castelo sem diálogo com o mercado", afirmou o gestor, apesar de ter indicado que poderia ter mudado com a indicação do ministro da Fazenda Joaquim Levy, que tem um viés mais ortodoxo para realizar o ajuste fiscal.

“É frustrante e a reação das ações mostrou isso claramente”, com baixa superior a 7%.

Amantea destacou que colocar um nome que já fazia parte do governo e menos independente é péssimo para a imagem do Brasil, pois sinaliza que não haverá mudanças tão significativas. Ele ressalta que a Petrobras está no "olho do furacão" e que seria necessário um nome com outro perfil para sinalizar que as coisas realmente iriam mudar na companhia: "a situação é dramática".

Confira mais reações:
"O nome de Bendine representa uma regressão nas perspectivas de transparência na companhia", destaca o analista Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, em um momento que é preciso restaurar a confiança das agências de classificação de risco.


Para o analista, Bendine é um pouco mais do mesmo, sem tantas mudanças em relação à Graça Foster: "é um nome melhor que Graça Foster, já que ela enfrentava uma grande pressão no cargo, mas não é um nome bom na visão do mercado. Esta é mais uma indicação política do governo". Pereira deu a declaração antes da oficialização do nome de Bendine para o cargo. 

O novo presidente da Petrobras pode ser mais submisso ao governo brasileiro e, assim, fazer com que o mercado desconfie sobre como será feito o relatório com as perdas contábeis. Cabe lembrar que o "estopim" para que Graça Foster saísse da Petrobras seria a divulgação das possíveis perdas contábeis de R$ 88,6 bilhões, o que teria irritado Dilma Rousseff, já que teria dado a impressão de que todo esse montante se referia à corrupção. 
Porém, há quem duvide de que Bendine tenha ido para a Petrobras para "ficar". O analista de investimentos Flávio Conde acredita que a escolha do presidente do BB para a petroleira seria apenas temporária, apenas para assinar o balanço da petroleira com as baixas contábeis do quarto trimestre.

Bendine, assim, assumiria os riscos de uma ação civil ao assinar o balanço, mesmo que não estivesse envolvido nos imbróglios que levaram às baixas. Vale ressaltar que o presidente do BB está de saída do cargo na instituição financeira e prestaria, assim, um "favor" para a empresa. 

Sem independência
Para o professor do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), José Márcio Camargo, “independente da competência dele”, a indicação mostra que a presidente Dilma Rousseff  “quer manter o controle sobre a empresa”.


Segundo Camargo, Bendine é uma pessoa muito ligada ao governo federal. “Foi uma indicação política, independente da capacidade dele”.

Lembrou que, à frente do Banco do Brasil, Bendine se esteve disposto a seguir a política econômica do governo e não a atender as necessidades específicas da instituição. “Aumentou a oferta de crédito e diminuiu juros em momentos que os bancos privados estavam fazendo exatamente o contrário”.

O economista Maurício Canêdo, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), também se manifestou contrário à indicação. “Não foi exatamente o que o mercado estava esperando”, afirmou.

Canêdo disse que a expectativa era que o novo titular da Petrobras fosse um executivo com mais experiência em empresas. “A queda da cotação das ações da Petrobras revela que o perfil da escolha é diferente do esperado”.

Maurício Canêdo também ressaltou a ligação política de Bendine com o governo. Segundo ele, isto prejudica a independência que deveria ter para tomar medidas necessárias para a empresa neste momento de crise.  

Caras Pintadas

Ficou conhecido no Brasil inteiro, durante o início da década de 90, o movimento dos "caras-pintadas", que consistiu em multidões de jovens, adolescentes em sua maioria, que saíram às ruas de todo o país com os rostos pintados em protesto devido aos acontecimentos dramáticos que vinham abalando o governo do então presidente Fernando Collor de Mello.

Para entender o fenômeno dos caras-pintadas é importante analisar o contexto no qual ele está inserido. O Brasil realizara recentemente eleições diretas para presidente em 1989, garantia que havia sido tomada ao cidadão brasileiro pelo regime militar, sendo que o último pleito direto, isto é, com a participação do povo, ocorrera em 1960. Tal fato era constantemente lembrado pelos meios de comunicação da época, enfatizando a importância da participação popular na vida política brasileira.

Em meio a todos os clamores a essa participação popular, procurando que de alguma forma recuperar o tempo perdido em meio ao marasmo dos anos de repressão, a mídia e a opinião pública reviviam intensamente os momentos em que de alguma forma a população se revoltou ante às arbitrariedades do regime de exceção, e entre os grandes momentos de luta pela democracia no país estavam os protestos estudantis de final dos anos 60, onde jovens universitários de pouco mais de 18 anos de idade saíam às ruas para protestar abertamente contra o governo, demonstrando ter alta organização, intelecto e politização, expressando ideias geralmente de esquerda, sendo que muitos perderam a vida, ou foram presos, ou relegados à clandestinidade, ou ainda perderam os direitos políticos e sociais.
Entre essas lembranças, e por isso mesmo, a eleição de 1989 assumiu um significado importante na história do país. Dela resultou eleito Fernando Collor de Mello, com uma plataforma de combate à hiperinflação, moralização e caça aos corruptos, que ficaram popularmente conhecidos como "marajás", termo bradado à exaustão por Collor e seus apoiantes.
Pouco depois, porém, o governo no qual muitos brasileiros colocaram suas esperanças começou a mostrar falhas estruturais. O Plano Collor de contenção da inflação fora um desastre completo, causando pânico na povo, além de denúncias de corrupção que iam surgindo por todos os lados, com declarações contundentes vindas do próprio irmão do presidente, envolvendo pessoas ligadas diretamente ao presidente, em especial um personagem que ficou muito conhecido à época: Paulo César Farias, o PC Farias, tesoureiro da campanha eleitoral de Collor.
O apoio político e popular ao governo ia encolhendo a olhos vistos em 1992, até que então, o presidente resolve reagir e conclamar a população a sair às ruas e manifestar seu apoio ao governo e, em última instância, ao país, fazendo isso de modo extensivo, utilizando uma "camiseta ou qualquer peça de roupa nas cores do nosso país", como diria o presidente em infame discurso.
A imagem dos estudantes conscientes, desafiadores, rebeldes dos anos 60 então faz a cabeça do imaginário popular naquele momento, e entre a população estavam os estudantes à época, geralmente de classe média, não tão politizados, e com ideias nem tão claras acerca do modo como reagir em meio ao seu descontentamento. Influenciados por toda "mitologia" que estava se criando em torno dos protestos ocorridos na década de 60 os caras-pintadas saem às ruas, mas vestindo e pintando-se de preto, em um repúdio às palavras de Collor, parcialmente irônico, parcialmente politizado. A imprensa iria cunhar o termo caras-pintadas a tais jovens, tornando-os ícones do descontentamento popular contra o poder constituído, mas, que diferentemente do movimento politizado e militante do passado, os protestos de 20 anos depois assumia um tom de humor, ironia, anarquia e um posicionamento político não tão marcado, e por isso mesmo recebendo críticas como um movimento algo artificial de mímica dos históricos protestos da era militar.
De qualquer modo, os caras-pintadas tornariam-se ícones de um novo modo que o povo descobriu de se fazer democracia: a deposição de seus dirigentes incompetentes ou corruptos.

Bibliografia:
SOBRINHO, Wanderley Preite. Saiba mais sobre os caras-pintadas . Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u397259.shtml Acesso em: 16 jul. 2011.